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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

David Brainerd (1718-1747)


David Brainerd nasceu a 20 de abril de 1718, no estado de Connecticut, nos Estados Unidos da América. Seu pai se chamava Ezequias Brainerd, um advogado, e sua mãe, Dorothy Hobart, era filha do Pr. Jeremias Hobart. David foi o terceiro filho, de um total de cinco filhos e quatro filhas. Foi um menino de saúde muito frágil, que acabou sendo privado de uma vida social mais dinâmica com outros garotos de sua idade. Sempre teve uma natureza sóbria, e um espírito reservado. Em sua infância, embora preocupado com o destino de sua alma, não sabia o que era conversão. Seu pai morreu quando ele estava com apenas nove anos, e aos catorze anos ele perdeu também sua mãe. Tornou-se ainda mais tristonho e melancólico, e os valores religiosos que recebeu na infância começaram a declinar em sua juventude.

Entretanto, como fruto da obra preveniente da graça divina, Brainerd afastou-se de algumas companhias indesejáveis, e começou a dedicar tempo à oração individual. Começou a ler mais a Bíblia e formou com outros jovens um grupo para encontros dominicais. Começou a dedicar bastante atenção às pregações, e procurava aplicá-las à sua vida. Ainda assim, ele não conhecia a Cristo pessoalmente. Tornou-se ainda mais zeloso no terreno da religiosidade, e sentiu a convicção e o peso do pecado, adquirindo o mais agudo senso do perigo e da ira de Deus. Contudo, suas esperanças ainda não estavam depositadas na justiça de Cristo, mas em si mesmo. Finalmente, o Espírito de Deus o conduziu à fé em Cristo, e ele passou a experimentar o descanso de uma vida justificada, e a ação do poder de Deus em uma Novidade de Vida. Tinha vinte e um anos.
Dois meses depois de sua conversão, Brainerd ingressou na Universidade de Yale. Mesmo num contexto de algumas pressões, ele dedicou bom tempo à comunhão a sós com Deus. As enfermidades, muitas vezes, atrapalhavam seus estudos. Num momento particularmente difícil, ele contraiu tuberculose e expelia sangue pela boca. Ainda assim, ele trabalhou intensamente e obteve distinção como estudante. Porém, quando estava em seu terceiro ano de universidade, teve de deixar a escola devido a uma circunstância bastante delicada. Isso significou um grande desapontamento para ele, pois, mais tarde, no dia em que os outros colavam grau, Brainerd escreveu em seu diário: “Neste dia eu deveria receber meu diploma, mas Deus achou conveniente negar-me isso”.

Foi justamente nesse período que se acentuaram suas preocupações com as almas perdidas. Ele começou a pensar profundamente sobre as pessoas que nunca tinham ouvido falar de Cristo. Chamou-lhe particular atenção a triste condição dos índios norte-americanos. Não havia muitos missionários trabalhando entre eles. Brainerd começou a colocar em prática o seu amor pelos índios, obtendo maiores informações sobre sua realidade e orando freqüentemente por eles. O desejo de levar o Evangelho aos índios foi crescendo em seu coração.

A ocasião surgiu em que Brainerd pôde apresentar-se como missionário aos índios. Sua saúde precária era um fator de preocupação, tendo em vista as condições inóspitas e difíceis que enfrentaria. Seus amigos lhe diziam: “Se Deus quer que você vá, Ele lhe dará forças”. Quando tinha vinte e quatro anos, ele escreveu em seu diário: “Quero esgotar minha vida neste serviço, para a glória de Deus”. No ano seguinte, começou a dedicar sua vida pregando aos índios nas florestas solitárias e frias. Vendeu seus livros e roupas que não usaria, e começou a vida bastante isolada e marcada por uma trajetória de auto-sacrifício e sofrimento. Mas Deus o abençoou ricamente. Como um “grão de trigo que morre ao cair na terra”, Brainerd não ficou só; a morte deste “grão de trigo” produziu muito fruto - tendo tido o privilégio de visitar alguns lugares relacionados à vida de Brainerd, inclusive o local em que ele primeiramente pregou aos índios, fiquei pessoalmente impressionado com o seu caráter e renúncia, fruto da poderosa graça de Deus em sua vida. Freqüentemente, Brainerd ficou exposto ao frio e à fome. Não podia ter o conforto da vida normal. Viajava a pé ou cavalgando por longas distâncias, dia e noite. As viagens eram sempre perigosas. Para atingir algumas tribos distantes, devia passar por montanhas íngremes na escuridão da noite. Atravessou pântanos perigosos, rios de forte correnteza, ou florestas infestadas de animais selvagens. Tinha de viajar quinze a vinte e cinco quilômetros para comprar pão, e, às vezes, antes de comê-lo, o pão estava azedo ou mofado. Dormia sobre um monte de palha que estendia sobre tábuas erguidas um pouco acima do chão. Em muitos momentos estava só, e ficava feliz quando podia contar com seu intérprete para conversar. Não tinha companheiros cristãos com quem pudesse dividir o fardo em momentos de comunhão e oração. “Não tenho nenhum conforto, a não ser o que me vem de Deus”, escreveu ele.

Seu ministério tornou-se bem amplo, alcançando índios nos estados norte-americanos de Nova Iorque, Nova Jersey, e ao leste da Pensilvânia. Havendo encontrado os índios em meio a muitas superstições, e recebendo muitas vezes os efeitos da fúria de seus sacerdotes, Brainerd pôde declarar o poder de Deus acima de todos os deuses. Apesar de todas as dificuldades, era movido por um intenso desejo de contemplar a salvação dos índios. Com isto em vista, aliou, por muitas vezes, o jejum à oração. “Não importa onde ou como vivi, ou por que dificuldades passei, contanto que tenha, desta maneira, conquistado almas para Cristo”, escreveu ele. Boa parte de seu trabalho era feito em lutas físicas, especialmente tendo em vista sua saúde sempre precária, e , como escreveu Edwards, “sua própria constituição e temperamento natural, muito inclinado para a melancolia” – e sobre isto, acrescenta Edwards, “ele excedeu a todas as pessoas melancólicas que conheci”.

O fato é que Deus honrou sobremaneira o ministério de Brainerd. O Espírito de Deus desceu poderosamente sobre os índios, num grande avivamento que afetou tribos inteiras. Por volta de 1745, mesmo os índios que viviam de forma impiedosa, opondo-se à pregação do Evangelho, se convenceram do pecado. Vários se converteram. Muitos brancos, que apareciam por curiosidade para ouvir o que Brainerd dizia aos índios, também foram convertidos. Índios de toda floresta ouviram falar de Brainerd e vinham em grande número ouvi-lo. Era muito comum ouvir os altos brados dos índios pela misericórdia de Deus, toda vez que Brainerd pregava. Seu ministério influenciou também as crianças índias. Ele criou escolas em que elas eram ensinadas a lavrar a terra e a semear, além de receberem os ensinos do Evangelho de Cristo.

Ao escolher o trabalho nas florestas úmidas, Brainerd sabia que não poderia esperar viver muito. Ele assistiu seu corpo definhar, pouco a pouco. Aos vinte e nove anos, foi colocado em seu leito de morte, sofrendo terrível agonia e dor física. Testemunhou de Cristo em seus momentos finais, e anelava por encontrar-se com o Senhor. Ele faleceu em 09 de outubro de 1747, tendo sido sepultado em Northampton, Massachusetts. Jonathan Edwards conduziu o funeral. Foi uma vida curta, mas que glorificou a Deus grandemente.
Edwards, que o conheceu muito bem, podia dizer de Brainerd:

(...) dotado de um gênio penetrante, de pensamento claro, de raciocínio lógico e de julgamento muito exato, como era patente para todos que o conheciam. Possuidor de grande discernimento da natureza humana, perscrutador e judicioso em geral, ele também sobressaía em juízo e conhecimento teológico, e, sobretudo, na religião experimental.
Num artigo em 2001, eu escrevi:

David Brainerd é um exemplo de alguém que resolveu colocar sua vida no altar (...) As privações, o trabalho incansável, as intempéries consumiram o seu vigor. Uma prolongada enfermidade ceifou sua vida. Devido à sua fragilidade física e aos rigores do campo missionário, ele contraiu tuberculose. Brainerd calculou o preço do seguir a Cristo e deliberadamente fez uma escolha que significava separar-se do mundo civilizado, com suas vantagens, e associar-se à dureza, ao trabalho e, possivelmente, a uma morte prematura e solitária. Entretanto, homens como William Carey, Henry Martyn, Robert Mürray McCheyne, John Wesley, Jonathan Edwards, Charles Spurgeon, Oswald Smith, Jim Elliot, citando apenas alguns, testemunharam a grande influência da biografia de Brainerd em suas vidas. Um biógrafo de Brainerd diz que ele “foi como uma vela que, na medida em que se consumia, transmitia luz àqueles que estavam em trevas”.
Algo muito importante que Brainerd fez foi escrever um diário, no qual registrou as experiências que lhe surgiram. Neste diário, editado por Jonathan Edwards, Brainerd faz uma breve explanação de sua infância e juventude, e começa a narrar-nos os fatos, escrevendo periodicamente a partir de 18 de outubro de 1840. Ainda que Brainerd tenha lutado quase que “invencivelmente” contra a publicação de qualquer porção de seu diário, este, publicado depois de sua morte, tem sido um instrumento de Deus para influenciar a vida de muitas pessoas. O Diário de David Brainerd foi publicado em português pela Editora FIEL, em 1993.

FONTE; http://www.editorafiel.com.br/artigos_detalhes.php?id=205



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quinta-feira, 5 de abril de 2012

RICHARD BAXTER DE KIDDERMINSTER (1615-1691)


A linhagem (descendência) nas Escrituras é fascinante: “Isaque gerou Jacó; Jacó gerou os doze patriarcas…” Não menos intrigante é a linhagem (descendência) evangélica: “Walter Craddock gerou Richard Baxter; Richard Baxter, através de suas flamejantes pregações e escritos, gerou uma multidão que nenhum homem poderia numerar”.
Richard Baxter nasceu em Londres, em 1615. Desconheço a data de sua conversão. He “sentiu um grande tranco em sua alma” por volta do ano de 1634, através da ungida pregação de Walter Craddock e Joseph Symonds.
Retorne um pouco no tempo e tente imaginar o magrelo e desengonçado Richard Baxter vagueando como um adolescente através das árvores e meditando em meio à fragrância da natureza selvagem. Ele está mentalmente mastigando os pensamentos derivados de três escritores de seu tempo – Bunny, Sibbes e Perkins. Da confusão ele diluiu convicção e desta, a conversão, e então a confissão de Cristo.
Após a maravilhosa regeneração de Baxter, as coisas terrenas se tornaram, estranhamente, opacas, e ele viveu, se moveu e teve sua existência em Deus. Ele teve em sua alma a chama de um serafim e tentou encher-se da eternidade durante a vida terrena.
Após quatro anos de sua rendição pessoal à Cristo, ele foi ordenado (1641) e designado para a igreja em Kidderminster, Inglaterra.
Baxter foi opositor da idéia de que para ministrar nas coisas de Deus o homem deveria ter a ordenação de bispos e passar por escolas do conhecimento. Ele declarou que não temia qualquer desaprovação humana nem esperava por qualquer distinção dos homens. A última frase ele provou por recusar a mitra de bispo.
Vamos agora ter um relance de Baxter como pregador, reavivalista, e ganhador de almas. Nenhum gladiador jamais encarou o olho de um César ou ansiou pelos aplausos dos homens pelas suas habilidades, tanto quanto este incansável puritano fixou a face de seu Deus em oração e escutou a doce voz do Espírito. Nenhum avarento jamais amou seu ouro como Baxter amou as almas, nem mesmo cortejou uma donzela como este homem instou com pecadores impenitentes. Sua rima era verdadeira:
“Eu preguei com a certeza de nunca pregar novamente,
Como um homem morrendo a homens morrendo”.
Seria uma erva daninha para nós, ministros atuais, meditar quando falamos que os convertidos geralmente se tornam semelhantes aos seus pais espirituais. Centelhas da alma de Baxter parecem ter caído nas almas que ele tão visivelmente afetou para seu Senhor. Aqui está seu registro: “Dia e noite eles tinham sede pela salvação e seus vizinhos…”.
O resultado dessa paixão contagiosa é melhor mensurada através das próprias palavras de Baxter: “Para o louvor do meu gracioso Mestre… a igreja de Kidderminster ficou tão cheia no Dia do Senhor que tivemos que construir galerias para conter todo o povo. Nossos encontros semanais também estavam sempre lotados. No Dia do Senhor toda a desordem foi quase totalmente banida da cidade. Se você passasse pelas ruas no domingo pela manhã, vou ouviria centenas de famílias cantando salmos em sua adoração familiar. Em uma palavra, quando eu vim à Kidderminster, havia apenas uma família, em uma rua inteira, que adorava Deus e invocava Seu nome. Quando saí, haviam várias ruas em que não havia uma família sequer que não adorasse a Deus. E então tínhamos 600 pessoas que assistiam à igreja, sendo que não havia doze deles que eu não tinha perfeita convicção da sua salvação.
Escute sua resposta para os insultos que diziam ser ele um desocupado: “A pior coisa que desejo a você é que você tenha meu sossego no lugar de seu trabalho. Eu tenho razão para considerar a mim mesmo o menor de todos os santos, mas ainda assim eu não temo em dizer ao acusador que em comparação comigo, o trabalho da maioria dos negociantes da cidade é um prazer para o corpo, mas mesmo assim eu não trocaria meu próprio trabalho pelo do maior prícipe. Seus trabalhos lhes preserva a saúde; o meu a consome. Eles trabalham com tranquilidade; eu em contínua dor. Eles têm horas e dias de recreação; eu mal tenho tempo para comer e beber. Ninguém os molesta pelo seu trabalho; quanto mais eu faço, mais ódio e problemas atraio a mim”.
Os principais teólogos de nossos dias “trabalham em teorias religiosas”, mas – e preste bastante atenção nisso – eles não são conhecidos como ganhadores de almas. Meu enfado contra os principais teólogos de nossos dias é que eles são críticos da Bíblia recostando-se em camas floreadas de sossego, nos oferecendo das suas sinecuras mentais, conjuntos de teologia feitos sob medida.
O oposto a tudo isso era o caso de Baxter. Sua alma afligia-se pelas almas dos homens. Ele sempre saía sorrindo a bendita mensagem do sangue da eterna aliança. Ele não era um sonhador espiritual retirado em uma torre teológica de marfim. Nem era um teólogo de laboratório, dissecando um dogma morto. Como Wesley, Baxter era um santo prático. Baxter permaneceu firme como uma rocha em tempo e fora de tempo!
Ao todo, Baxter trabalhou aproximadamente dezenove anos em Kidderminster e, como um escritor expressa com beleza, “através de suas pregações e do poder de sua vida consagrada, toda a comunidade foi transformada de uma habitação da crueldade e imoralidade em um jardim de verdadeira piedade”. O mesmo escritor acrescenta que “permanece como uma distorção moral que Richard Baxter, o mais puro teólogo do século XVII, o homem que desejou por, lutor por, orou por, e alegremente sacrificou sua vida pela unificação da igreja, fosse aprisionado por um Juiz protestante e um Júri protestante”.
O Ato de Uniformidade, que veio à existência por volta de 1662, dispunha que um livro de orações autorizado deveria ser utilizado e que todos os ministros não ordenados pela Igreja Episcopal deveriam ser destituídos. Baxter resistiu esse Ato, juntamente com dois mil outros ministros, e achou a si mesmo inculpável por isso. Ele foi caluniado, mal interpretado e teve seu posicionamento deturpado. “Em perigos muitas vezes” foi tão verdade para ele quanto para benditos “Irmãos da Aliança” (Nota do Tradutor: movimento da igreja presbiteriana escocesa contra as inovações da igreja-estado), que ao mesmo tempo estiveram tingindo as charnecas da Escócia com seu sangue.
A humilhação final desta grande alma, Richard Baxter, foi em maio de 1685 pelas mãos do notório Juiz Jeffries do “Julgamento Sangrento”. Especialmente em seu livro “Paráfrase do Novo Testamento”, Baxter foi tolamente acusado de caluniar a Igreja. Por estas falsas acusações, esse santo foi multado em uma quantia de $ 200,00 libras (equivalentes à U$ 2.000,00) – uma verdadeira fortuna para aqueles dias. Enquanto a multa não fosse paga, ele cumpriria pena de prisão por sete anos “para manter a paz”. Foi uma clemência de última hora que salvou esse septuagenário Baxter de ser amarrado atrás de um carro e ser arrastado pelas ruas de Londres.
Após Deus, os livros eram o principal interesse de Baxter. Ele os escreveu, os comprou, os leu, os comentou e os presentou. Sua própria pena jamais secou-se. Seus esforços literários são estonteantes. Ao todo, ele escreveu duzentos livros. Outros duzentos panfletos são atribuídos a ele. Ele nos deu uma versão métrica dos Salmos e dois volumes de poesias.
Boswell perguntou ao famoso Dr. Johnson: “qual dos livros de Baxter deveria ler?” A resposta de Johnson foi essa: “Leia qualquer um deles; eles são todos bons”.  Exercite-se com os livros: “O Descanso Eterno dos Santos” ou o seu “Chamado aos Não Convertidos”. E não deixe de ler seu “O Pastor Reformado”. Alguma alma afortunada poderia encontra a “Autobiografia” de Baxter. Pastor, se você a ver, compre-a a qualquer custo. Ainda, leia os escritos de Dean Boyle sobre Baxter – se você os puder encontrar.
“Baxter nunca adulterou seu oráculo e nunca vendeu a verdade para servir ao momento”. Conforme ele envelhecia, debilitado em seus membros e dilacerado pela dor cruel, ele preferiu as prisões às pensões e o sorriso do Rei invisível ao favor do rei terreno. Ele jamais retirou qualquer palavra que escreveu.
Naquele grande dia para o qual a criação e todas as suas tribos foram feitos eu, por minha livre vontade, sentarei em fascinação quando o Rei dos reis recompensar esse servo fiel, Richard Baxter. Seu segredo não é difícil de ser encontrado. “Ele era animado pelo Espírito Santo e respirava fogo celestial para inspirar calor e vida em pecadores mortos e para derreter os obstinados em suas tumbas congeladas”.
Nessa era de gelo spiritual nós, como Baxter, também necessitamos de uma unção.
Permita-me estender a você algumas pérolas de outros homens sobre Baxter:
“Se Baxter tivesse vivido nos tempos primitivos, ele teria sido um dos Pais da Igreja”, observou o Bispo Wilkins.
O Arcebispo Usher o estimou grandemente.
O Lorde Morley chamava Richar Baxter de “o mais profundo teólogo de todos”.
Coleridge falava sobre a “Autobigrafia” de Baxter dessa maneira: “Eu poderia dizer que a veracidade do evangelho é a veracidade de Baxter… Baxter sente e raciocina mais como um anjo do que como um homem”.
“Em trabalhos mais do que eles” poderia ter sido o tema de sua vida. Se esta grande alma tivesse vivido tanto quanto Matusalém, ele teria dado a “cada minuto alguma coisa para ser guardada”.
Traduzida da versão da Bethany House Publishers. Este artigo de Leonard Ravenhill foi veiculado no DAYSPRING, com direito autoral da Bethany House Publishers, 1963, um ministério da Bethany Fellowship, Inc. Todos os direitos reservados. Biografia Protegida por direitos autorais.



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Charles T. Studd


CHARLES THOMAS STUDD (1860 – 1931)

Charles T. Studd – que deu sua fortuna e saúde por Cristo – foi um missionário inglês que fielmente serviu seu salvador na China, Índia e África. Seu lema era: “Se Jesus Cristo é Deus e morreu por mim, então nenhum sacrifício que eu fizer será grande demais para Ele”.
A maioria dos missionários pioneiros tiveram o início de suas vidas tanto em humildes quanto em obscuras circunstâncias, com recursos financeiros limitados e poucas oportunidades de uma educação adequada. Mas Charles T. Studd é uma exceção a essa regra. Seu pai, Edward Studd de Tidworth, Inglaterra, fez fortuna na Índia e aposentou-se na Inglaterra para desfrutá-la.
O pai de Charles T. Studd converteu-se a Cristo através do ministério de D.L. Moody e Ira Sankey em Londres, no ano de 1877. Logo a ambição pelo turfe (nobres corridas de cavalo) foi trocada pelo desejo de servir e honrar a Cristo.
Charles T. Studd nasceu na Inglaterra, em 02 de dezembro de 1860. Ele (e seus irmãos) foram levados a Igreja, mas C.T. Studd – como ele era chamado – considerava que ir a Igreja era como ter uma grande dor de dentes. Ele disse: “Eu nunca encontrei uma pessoa realmente convertida”.
Charles T. Studd e seus dois irmãos foram mandados para o Colégio Eton, uma das mais famosas escolas inglesas. Quando Charles T. Studd tinha apenas 16 anos de idade, ele se destacou no jogo de críquete e em 1879 se tornou o capitão do time.
Após sua conversão, Edward Studd se tornou extremamente preocupado com a conversão de seus filhos. Ele os levou para ouvir as perscrutantes mensagens de D.L. Moody. Um evangelista que foi convidado a se hospedar na casa dos Studd foi usado por Deus para levar o jovem Charles T. Studd para Cristo. Em 1880 Charles T. Studd ingressou na Universidade de Cambridge, na qual ele continuou seus estudos até o ano de 1883. Foi durante esse período que ele dedicou sua vida e toda a fortuna que herdaria para Cristo.
Quando James Hudson Taylor – fundador da Missão no Interior da China – visitou a Inglaterra, o candidato a missionário, Charles T. Studd, ofereceu a si mesmo para o trabalho na China. Aquele foi o passo inicial para o que ficaria famoso como “Os Sete de Cambridge” (grupo de sete estudantes da universidade que foram como missionários à China), entre os quais merece ser citado D.E. Hoste, que anos mais tarde se tornaria o diretor geral da Missão no Interior da China.
Aos 05 de fevereiro de 1885 eles velejaram para Shangai, China, chegando em 18 de março de 1885. Três anos depois Charles T. Studd casou-se com Priscilla Livingstone Stewart. Em 1894 os Studds, seriamente doentes, voltaram para a Inglaterra. Eles cortaram sua ligação com a Missão no Interior da China e entregaram à missão o prédio que eles haviam adquirido lá.
Em 1912 Charles T. Studd recebeu seu chamado de ir para a África. O missionário que havia servido tão fielmente na China agora formou a “Missão ao Coração da África” e, como um pioneiro juntamente com seu genro, Sr. Alfred Buxton e outros, velejou para o novo “campo” na África. A Sra. Studd e duas de suas filhas permaneceram em casa para cuidarem das responsabilidades secretariais tanto da base quanto do campo missionário.
Em 16 de outubro de 1913 o grupo chegou ao território de Niangara, junto ao rio Welle, no próprio “coração” da África. Deus abençoou grandemente seus esforços para ganhar almas. O primeiro culto batismal foi realizado quando 12 convertidos pagãos declararam publicamente sua fé em Cristo.
Gilbert Barclay, outro genro do Sr. e Sra. Studd, ingressou em seu serviço missionário em 1919. Com a visão de que seus trabalhos deveriam ser mundiais, eles rebatizaram a missão para “Cruzada Mundial de Evangelização”. A missão continuou crescendo, ganhando confiança entre o povo de Deus nas suas próprias nações e estendendo-se para os mais remotos e duros campos de esforço missionário.
As orações de Charles T. Studd eram para que ele pudesse morrer a morte de um soldado no campo de batalha para Cristo e não ser um peso para outros, durante meses e anos como um inválido. Em 1927 a Sra. Studd fez uma breve visita a África, quando ela viu seu marido pela última vez. Ela morreu (enquanto estava na Espanha) em 1929. Charles T. Studd morreu na estação da missão, em 16 de julho de 1931. A última palavra sua que pôde ser entendida foi: “Aleluia”! No dia de seu funeral lá estavam perto de sua sepultura cerca de 50 missionários e 2000 homens negros, incluindo vários chefes tribais.
Talvez seja bom dizer que ele deu alegremente sua saúde e sua fortuna para ganhar almas para Cristo. A vida e obra de Charles T. Studd para Cristo será sempre uma exortação contra toda forma de Cristianismo que procura por conforto egoísta e facilidade.
Abaixo, algumas frases de Charles T. Studd:
“Eu não posso lhe contar a alegria que tive ao levar minha primeira alma ao Senhor Jesus Cristo. Eu experimentei quase todos os prazeres que esse mundo pode dar. Eu não consigo lembrar se houve algum prazer que não tenha experimentado, porém eu posso lhe dizer que aqueles prazeres não são nada em comparação com a alegria que a salvação daquela única alma me deu”.
“Eu compreendi que minha vida deveria ser simples – semelhante à fé de uma criança – e que a parte que me cabia era crer, e não fazer. Eu deveria confiar e Ele trabalharia em mim para que eu fizesse seu bom prazer. A partir desse entendimento minha vida foi diferente”.
Expressando a liderança agressiva que lhe era peculiar em seus empenhos espirituais, Charles T. Studd escreveu:
“Preguem as bandeiras no mastro! Essa é a coisa certa a fazer e, portanto, é o que devemos fazer, e fazer agora. Que bandeira? A bandeira de Cristo, o trabalho que Ele nos deu a fazer: a evangelização de todos os não-evangelizados. Cristo não deseja os homens que beliscam o possível, mas cobiçosos do impossível, pela fé na onipotência, fidelidade e sabedoria do Todo-Poderoso Salvador que deu a ordem. Há uma parede em sua vereda? Pelo nosso Deus nós iremos saltar sobre ela! Existem leões e escorpiões em seu caminho? Nós os pisaremos debaixo de nossos pés! Uma montanha barra seu progresso? Dizendo: “Lança-te ao mar” nós marcharemos em frente. Soldados de Jesus: Nunca se rendam! Preguem a bandeira no mastro!”
Em uma carta escrita pouco antes de sua morte, Charles T. Studd reviu sua vida com esse resumo:
“Como creio que estou perto de partir desse mundo, tenho apenas algumas coisas pelas quais me regozijar:
1. Que Deus me chamou a China e eu fui a despeito das extremas oposições de todos os meus amados.
2. Que eu alegremente agi como Deus disse para o jovem rico agir.
3. Que eu deliberadamente – diante do chamado de Deus – quando sozinho no vapor (navio) Bibbly em 1910, entreguei minha vida para esse trabalho, que deve prosseguir não apenas pelo Sudão, mas por todo o mundo não-evangelizado.
Minhas únicas alegrias, portanto, são que quando Deus me deu um trabalho para fazer, eu não o recusei”.
“(…) eu não digo “Não participe de jogos ou do críquete e assim por diante”. Por todos os meios, jogue-os e se alegre neles. Apenas tome cuidado para que os jogos não se tornem um ídolo para você como eles foram a mim. Que bom propósito há para qualquer um no mundo vindouro ter sido o melhor jogador que já existiu? E, então, pense acerca da diferença entre isso (os jogos) e o ganhar almas para Jesus”.
Traduzida da versão de Stephen Ross, para WholesomeWords.org do livro Pioneer Missionaries for Christ and His Church (Missionários Pioneiros por Cristo e Sua Igreja) por Thomas John Bach. Wheaton, Ill: Van Kampen Press, 1955. Todos os direitos reservados. Biografia protegida por direitos autorais.


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terça-feira, 27 de março de 2012

Biografia e Frases de Leonard Ravenhill

LeonardRavenhill

Leonard Ravenhill (1907-1994) foi um evangelista cristão e autor que centrou suas mensagens sobre os assuntos da oração e do reavivamento. Ele é mais conhecido por desafiar a igreja moderna e por seu livro mais notável, “Por Que Tarda o Avivamento?”. Nascido em Leeds, em Yorkshire, Inglaterra, foi educado em Ravenhill Cliff College na Inglaterra sob o ministério de Samuel Chadwick. Ele era um ávido estudante de história da Igreja e um especialista na área de avivamento. Suas reuniões durante os anos da II guerra mundial, atraiu grandes multidões na Grã-Bretanha, e como resultado, muitos consagraram suas vidas ao Senhor e a vida no ministério cristão e se lançaram nos campos missionários do mundo.
Em 1939, casou com uma enfermeira irlandesa, Martha. Os Ravenhills tiveram três filhos: Paulo, David, e Philip. Paul e David se tornaram ministros do Evangelho, e Philip professor. Em 1959, Ravenhill e sua família mudaram-se  da Grã-Bretanha para os Estados Unidos. Na década de 1960 viajavam pelo interior dos Estados Unidos fazendo reuniões evangelísticas em tendas, reuniões de avivamento. Na década de 1980, Ravenhill mudou-se para uma casa perto Lindale, Texas, a uma curta distância do “ministério dos últimos dias”, do cantor cristão Keith Green. Ele ensinou regularmente aulas nesse ministério e foi um mentor para o falecido Keith Green. Também passou algum tempo ensinando no Bethany College of Missions em Minnesota, e algum tempo em Seguin, Texas. Entre outros, foram influenciados por Ravenhill,
Ravi Zacharias, Tommy Tenney, Steve Hill, Charles Stanley, Bill Gothard, Paul Washer, Dan Brodeur, Sean Cabral Myers, Brett Mullett, David Wilkerson

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O Mais famoso livro de Ravenhill
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:: FRASES  ::

“Será que um marinheiro ficaria parado se ouvisse o clamor de um náufrago? Será que um médico permaneceria sentado comodamente, deixando seus pacientes morrerem? Será que um bombeiro, ao saber que alguém está perecendo no fogo, ficaria parado e não iria prestar-lhe socorro? E você, conseguiria ficar à vontade em Sião vendo o mundo ao seu redor ser condenado?”

“Em cada um de nós existem três pessoas: a que nós achamos que somos; a que os outros pensam que somos; e a que Deus sabe que somos.”

"Para fazer frente a esta geração ávida pelo pecado, só uma igreja ávida pela oração.”

"Por que tarda o avivamento? A resposta é muito simples. Tarda porque muitos pregadores e evangelistas estão mais preocupados com dinheiro, fama e aceitação pessoal do que em levar os perdidos ao arrependimento."

"Se somos fracos em oração, nós somos fracos em todo o resto”.

“Homem dá conselho; Deus dá orientação”.

“As coisas para que você tem vivido valem pelo que Cristo morreu?”

“Um homem pecador para de orar, um homem de oração para de pecar”.

“A única razão de nós não termos avivamento é porque nós queremos viver sem ele!”

“A Igreja costumava ser um barco resgatando os que perecem. Agora ela é um cruzeiro recrutando o promissor”.

“Deus lamenta de nós que depois de anos de escrita, utilizando montanhas de papeis e rios de tinta, esgotando pretensiosa terminologia sobre os maiores encontros de avivamentos na história, nós ainda enfrentamos rude corrupção em cada nação, assim como somos a igreja que menos ora desde Pentecostes”.

“Se Jesus tivesse pregado a mesma mensagem que os ministros pregam hoje, Ele nunca teria sido crucificado”.

“Minha maior ambição na vida e estar na lista de mais procurados pelo diabo”.

"Como você pode derrubar as fortalezas de Satanás, se você não tem nem a força para desligar a TV?"

"Muitos pastores me criticam por ter tomado o Evangelho tão a sério. Mas será que realmente pensam que no Dia do Julgamento, Cristo vai castigar-me, dizendo," Leonard, você me levou muito a sério'? “

"Quando há algo na Bíblia que as igrejas não gostam, eles o chamam de ‘legalismo’."

"Um evangelista popular atinge suas emoções. Um verdadeiro profeta alcança sua consciência."

"Um verdadeiro pastor conduz o caminho. Ele não somente indica o caminho."

"Nenhum homem é maior do que sua vida de oração. O pastor que não está orando está brincando, as pessoas que não estão orando estão desviando. O púlpito pode ser uma vitrine para mostrar os talentos de uma pessoa; já o quarto de oração não permite nenhum exibicionismo.”

"Todo mundo reconhece que Estêvão era cheio do Espírito quando estava realizando maravilhas. Porém, ele era igualmente cheio do Espírito quando estava sendo apedrejado até a morte."

"Se um cristão não está tendo tribulação do mundo, há algo errado!"

"Será que o mundo está crucificado para você esta noite? Ou será que ele o fascina?”

"Esse mundo lá fora não está esperando uma nova definição de Cristianismo, está esperando uma nova demonstração de Cristianismo.”

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quinta-feira, 22 de março de 2012

George Whitefield (1714 – 1770)


Espie comigo através da janela da História e olhe para o século XVIII incrustrado com gênios:
Aquele pomposo almofadinha que vemos ali é Beau Nash, famoso por ser o mestre de cerimônias da elegante corte em Bath, Inglaterra. (Um pouco mais tarde John Wesley iria perfurar o seu orgulho).
Aquela personalidade que vem se aproximando agora não é outro senão a celebridade literária, Dr. Samuel Johnson. John Wesley, certa vez, declinou uma refeição até tarde com Johnson porque isso o deteria de acordar cedo na próxima manhã para orar. (Marque isso, pregador!). O companheiro do Dr. Samuel Johnson, com uma pena afiada, é Boswell (advogado escocês).
Em um despretensioso lugar não muito longe dali temos um homem elaborando desenhos, naquilo que iria se tornar uma famosa pintura: “The Blue Boy”. Parabéns, Gainsborough! (pintor inglês).
Em outra área, com suor na testa, alma e mente, Howard (xerife inglês) está trabalhando para efetuar reformas no sistema prisional inglês. Acima, no Parlamento, William Wilberforce (político inglês), com uma língua de escorpião, está açoitando os legisladores por causa dos males da escravidão.
Philip Sheridan, o teatrólogo irlandês e político, ficou cheio de orgulho da sua School for Scandal (“Escola para o Escândalo” – peça teatral). Por algum tempo Sheridan foi dono do Drury Lane Theatre. Eu ficaria maravilhado se ele tivesse David Garrick, o príncipe dos atores naqueles dias, atuando em suas peças.
Consegue ouvir aquelas melodias celestiais? Eis aqui outro típico inglês (naturalizado). Seu nome? Handel (compositor). Com os olhos cheios de lágrimas e seus braços levantados ao céu, esse gênio está cantando algumas das melodias do seu “Messias” (composição musical) e as entremeando com alguns “aleluias” (Será por isso que ele foi reputado como bêbado quando compôs seu bendito oratório?).
Ainda, antes de deixarmos a maravilhosa Inglaterra desse período e pularmos por sobre o canal (Canal da Mancha) para dar uma espiadela no gênio mal de Voltaire (filósofo francês), vamos espiar através de uma pequena janela. Aqui está a “cara lavada” de Hogarth (pintor e cartunista), pintando uma de suas sátiras políticas que o fizeram imortal.
Vamos à França agora. Voltaire senta-se poderosa e altamente em seu trono de ceticismo. Desmentindo que ele era um ateísta, esse brilhante deísta verteu desdém e sátira sobre as doutrinas cristãs. Se ele foi o pai da Revolução Francesa, ele provavelmente foi aguilhoado a fazer isso devido à perseguição e amargura dos Jesuítas que reinavam em seus benefícios sacerdotais.
Mas Voltaire aparenta ter sido um homem de compaixão também. Ele foi honesto em avaliação. Sangster de Westminster (pastor e teólogo) disse: “Voltaire, quando foi desafiado a apontar um caráter tão perfeito quanto o de Cristo, na mesma hora mencionou Fletcher de Madely” (homem que traiu o comandante de seu navio e acabou morto em uma conspiração. É uma famosa história literária inglesa. Foi usada por Ravenhill como uma sátira da “honesta” avaliação de Voltaire sobre Cristo).
Aqui então terminamos com uma visão geral do século XVIII e sua safra de intelectuais e homens de feitos heroicos. Cada um dos anteriormente mencionados teve um lugar ao sol. Cada um teve uma habilidade peculiar.
Mas o que Johnson e Boswell foram na literatura, o que Reynolds e Gainsborough foram nas artes, o que Sheridan e Garrick foram no teatro, John Wesley e George Whitefield foram na Igreja do Deus vivo – e somente eles foram tanto e em tão alto grau.
Aqui está um daqueles abençoados paradoxos que o Senhor produz. Assim como alguns anos antes os Beecher’s (culta família cristã) determinaram o comportamento na Nova Inglaterra (nordeste dos EUA), assim os Wesley’s, na Inglaterra, foram uma família de cultura e que definia padrões. Apesar disto, esse cavalheiro de Oxford, John Wesley, era o homem que o Senhor usou com os mineiros do interior de Bristol, Inglaterra. E aquele garoto vesgo nascido na taverna de Gloucester (George Whitefield) foi o Davi selecionado para suceder em preferência a Saul e Jonatas, com a missão de evangelizar o estado-maior da Inglaterra com todos os seus mantos de seda.
Fogo produz fogo. Em minha opinião, John Wesley tomou um pouco do seu zelo abrasador de George Whitefield. Nos dias de hoje alguns reivindicam que o avivamento, geralmente chamado de “Avivamento Wesleyano”, não foi o avivamento de Wesley coisa nenhuma. E ainda, eles dizem, ele (Wesley) não o começou. (Para provar ou desmentir isso, nós podemos esperar até o grande dia do julgamento).
No campo pregando, o inflamado Whitefield certamente precede Wesley. Wesley pegou a tocha do avivamento que Whitefield lançou quando foi para a América.
Whitefield chegou na América após um verdadeiro espancamento no tempestuoso Atlântico, a bordo de um barco que a Comissão Marítima não licenciaria nos dias de hoje para uma viagem no rio. Novamente Whitefield lançou a brasa do seu zelo. Dessa vez foi dentro do coração de Gilbert Tennant (um dos líderes do Grande Avivamento americano), que, como somos levados a crer, pôde superar seu tutor. (Isso parece impossível). Ainda maiores multidões enfrentaram as nevascas para ouvir Tennant depois que Whitefield deixou a Nova Inglaterra.
Esqueça por um momento os outros experimentos que Benjamin Franklin fez. Nesse instante veja-o parado diante do púlpito onde Whitefield estava. Chegando cada vez mais para trás até que não pudesse mais ouvir distintamente, ele marcou lá um ponto. Mais tarde ele calculou a distância e concluiu que 30.000 (trinta mil) pessoas ouviram o ungido Whitefield em apenas uma reunião, e o ouviram confortavelmente sem nenhum amplificador!
Mas as audiências de Whitefield nem sempre foram grandes. Em uma viagem através do Atlântico, quando ele possuía apenas 25 (vinte e cinco) anos – alto, gracioso e esbelto – ele discursou para um grupo de apenas trinta pessoas.
Seu púlpito era o oscilante convés de um barco cujas velas estavam esfarrapadas e os instrumentos de navegação completamente fora de operação! Seu cobertor era uma pele de búfalo, e ainda que ele tenha dormido na parte mais protegida do navio, ele tomou um banho completo por duas vezes durante uma única noite. O barco levou três meses para avistar a costa da Irlanda!
Sobre o Atlântico ou do outro lado dele, tanto pregando para alguns poucos em uma escotilha de barco quanto impactando arrebatadoramente uma vasta audiência no campo, a mensagem de Whitefield era a mesma: “Em verdade, em verdade, vos digo, a não ser que um homem nasça de novo, ele não pode ver o reino de Deus”.
A lâmpada que iluminou a vereda do Reino de Deus para Whitefield foi um livro. Em Oxford, Charles Wesley avistou Whitefield e lhe passou “A Vida de Deus na Alma do Homem”, de Henry Scougal.
Na América, Whitefield investiu através das florestas impenetráveis para alcançar os silvícolas (índios). De tribo em tribo ele foi de cabana a cabana. Para chegar às aldeias dos Delawares, ele se lançou nas furiosas corredeiras em uma frágil canoa indígena. Ele desentocou até mesmo os caipiras: todos os homens deveriam ouvir a mensagem; eles deveriam ter a vida de Deus em suas almas.
Das miseráveis aldeias dos silvícolas, esse pregador semelhante a um serafim, movia-se com a mesma tranquila disposição para as imponentes casas históricas da Inglaterra. De onde vêm aquelas carruagens? O que atraiu e reuniu aqueles poetas, lordes e príncipes, filósofos e letrados? Orgulhosos da sua linhagem e “sangue azul”, aqueles aristocratas vinham – muitos deles três vezes por semana – para ouvir as palavras ásperas: “Deveis nascer de novo”.
De uma câmara aristocrática com um pungente aroma de caríssimos perfumes, Whitefield arremetia-se para um encontro nas ruas. Tente pegar sua alegria quando ele diz: “Aqui eu sou honrado com pedradas, excremento, ovos podres e partes de gato morto atirados contra mim”!
Vindo de Gloucester como ele veio, Whitefield sabia que, por ser tão franco sobre as coisas de Cristo durante o reinado da Rainha Maria, o Bispo Hooper de Gloucester foi queimado enquanto tinha ao alcance dos olhos sua própria catedral. Whitefield não se importava com as consequências da obediência. Tyndale (publicador de uma das primeiras Bíblias inglesas) foi um homem de Gloucester também, e pense o que sua fé lhe custou!
Whitefield era do tipo: “Baxter-Brainerd-McCheyne”; ele usava o arnês (antiga armadura completa) da disciplina com tranquilidade. Ele cravou estacas profundas em sua própria mente. Seus “não farás” eram para si mesmo, e ele nunca forçou outros a vestir seus panos-de-saco (vestes de luto).
O elogio (?) do Papa sobre Lutero: “Essa besta alemã não ama o ouro”, poderia ter sido dito a respeito de Whitefield também.
Qual era o segredo do sucesso de Whitefield? Eu penso que três coisas: Ele pregou um Evangelho puro; ele pregou um poderoso Evangelho; ele pregou um Evangelho apaixonado.
Cornelius Winter (pastor), que frequentemente viajou, comeu e dormiu no mesmo quarto que Whitefield disse: “Ele raramente passava por um sermão sem lágrimas”. Do outro lado, uma senhora de posição em Nova Iorque disse: “o senhor Whitefield foi tão agradável que me tentou a ser cristã”.
Homens da literatura do seu tempo frequentaram seus encontros. Lord Chesterfield, frio como era, aqueceu-se sob sua pregação. Lord Bolingbroke, um crítico pouco generoso, disse: “Ele (Whitefield) é o homem mais extraordinário dos nossos tempos. Ele tem a autoridade e eloquência que nunca ouvi em ninguém”.
Foi dito de David Hume, o filósofo cético escocês – e um deísta como era – que saiu correndo às cinco horas da manhã para ouvir Whitefield pregar. Perguntado se ele acreditava no que o pregador pregava, ele respondeu: “Não, mas ele acredita”!
Franklin da América, um filósofo calculista e sangue-frio, disse sobre o avivalista Whitefield: “Foi maravilhoso ver a mudança efetuada pela sua pregação nos modos dos habitantes da Filadélfia. De descuidado ou indiferente acerca da religião, parece como se todo o mundo estivesse crescendo religioso”.
John Newton (compositor da canção “Amazing Grace”), um gigante da pregação tanto quanto da poesia, disse de Whitefield: “Parecia como se ele nunca pregasse em vão”.
Um comentário de John Wesley sobre ele: “Porventura já lemos ou ouvimos de qualquer pessoa que chamou tantos milhares, tantas miríades de pecadores ao arrependimento? Sobretudo, por acaso já lemos ou ouvimos acerca de qualquer um que tem sido um instrumento abençoado de Deus para trazer tantos pecadores das trevas para a luz, e do poder de Satanás para Deus, como Whitefield”?
O velho Henry Venn de Huddersfield e Yelling (ministro evangélico e teólogo) declarou: “Raramente qualquer um igualou-se ao senhor Whitefield”.
George Whitefield caminhou com grandes homens, como o Marquês de Lothian, o Conde de Leven,  Lord Dartmouth e Lady Huntingdon. Mas melhor ainda, ele caminhou e falou com Deus. Ele ouviu o que Deus disse, viu o que Deus viu e amou como Deus amou. Um provérbio árabe diz: “É o melhor orador aquele que transforma os ouvidos dos homens em olhos”. Essa alma maravilhosa fez justamente isso.
Deus de Whitefield, dê-nos hoje homens como Whitefield, que podem permanecer como gigantes no púlpito, mas ao mesmo tempo homens com corações carregados, lábios inflamados e olhos transbordantes (de lágrimas).
E, Deus, por favor faça isso logo!
Traduzida da versão da Bethany House Publishers. Este artigo de Leonard Ravenhill foi veiculado no DAYSPRING, com direito autoral da Bethany House Publishers, 1963, um ministério da Bethany Fellowship, Inc. Todos os direitos reservados. Biografia protegida por direitos autorais.

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